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Anime sua próxima reunião virtual da firma com uma cabra de verdade Um artigo sobre AI publicado num grande jornal científico estava cheio de frenologia 12 argumentos que todo negacionista do clima usa – e como refutá-los 16 maneiras simples de apimentar o sexo baunilha ‘Among Us’ não é só o jogo de 2020, é ‘2020: O Jogo’ Quem curte filmes de terror está lidando melhor com a pandemia, diz estudo A máfia italiana está no TikTok A pandemia criou um novo tipo de ‘medo de estar perdendo’ A quarentena me ajudou a entender melhor minha identidade de gênero
O estupro roubou meus orgasmos. Foi assim que eu os consegui de volta
Jemah Finn · 2020-09-18 · via Portuguese - VICE

AVISO: esta matéria descreve questões de violência sexual.

Comecei uma busca pelo orgasmo 14 meses atrás. Tudo começou com meu aniversário de 23 anos e perceber que eu nunca tinha gozado. Na verdade, eu mal sentia qualquer excitação genital durante o sexo ou masturbação, graças a ser estuprada quando eu tinha 18.

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O mais perto que eu tinha chegado do orgasmo foi durante o estupro, e desde então, o sexo não funcionava mais pra mim. Eu estava desesperada para experimentar aquele orgasmo de gritar que você vê nos filmes. Ou só qualquer orgasmo no geral.

Então, 14 meses atrás, comecei minha busca escrevendo uma matéria para a VICE, discutindo como o estupro corrompeu meu prazer sexual. No começo, eu esperava que identificar uma ligação entre o ataque e prazer pudesse resolver o problema. Em vez disso, as coisas só ficaram mais difíceis. Fiquei tão obcecada com gozar que empurrei o orgasmo para ainda mais longe. Eu masturbava com um propósito. Eu transava com um propósito. Até compartilhei toda a minha jornada na internet, com um propósito. Me perdi tanto na busca que esqueci por que tinha começado em primeiro lugar.

A questão nunca deveria ter sido o orgasmo em si. A busca era uma questão de retomar o poder que foi tirado de mim quando fui estuprada. Eu precisava recuperar aquele poder.

O perpetrador pode ter penetrado meu corpo, mas a zona de impacto foi meu cérebro. Não foi minha vagina que foi danificada; foi minha confiança nos outros, minha autoconfiança, minha libido e meu senso de valor próprio. Desde o estupro, eu me odiava. Eu nunca me sentia sexy ou desejável. Minha compreensão do que era aceitável na cama foi completamente destruída. Eu era analfabeta no sexo e não estava me dando o respeito que eu merecia.

Percebendo isso, decidi que precisava me separar da noção de que gozar era a parte mais importante da minha busca por ser sexualmente livre. E me tornando sexualmente livre e redefinindo minha missão, eu realmente poderia relaxar e gozar.

Colocando do jeito mais simples: eu não gozei até parar de tentar gozar.

Atingir um orgasmo real começou com aquele trabalho interno clichê. Parei de beber por alguns meses. Me assumi pansexual, mudei de estado, deletei o Tinder e não transei com ninguém por seis meses.

Usei esse tempo para reprogramar meu cérebro e parar de bloquear minhas emoções com merdas vazias como transas bêbadas. Comecei a me aceitar como sou, o que permitiu me perdoar por tudo que eu sentia culpa. Sempre me culpei por ter sido estuprada. Mas interrompendo as distrações da superfície, consegui peneirar meus sentimentos e ganhar uma compreensão melhor de quem sou e o que mereço.

Obviamente, tudo isso levou tempo. Não há um programa fácil passo a passo para aprender como se amar, especialmente depois de algo tão traumático como um estupro. Eu tive que me dar tempo e espaço para me curar. Parei de colocar tanta pressão em mim e segui a jornada dia após dia, sem um prazo ou objetivo final.

Aí, algumas semanas atrás, comprei lingerie. Voltei pra casa e coloquei uma playlist sexy para tocar. Pela primeira vez, me olhei no espelho e não vi uma concha quebrada de um ser humano; eu vi alguém sensual. Dancei e toquei meu corpo. Eu queria transar comigo mesma. Eu nunca tinha sentido qualquer desejo por mim mesma daquele jeito antes.

Sempre que um pensamento negativo ou de nojo surgia na minha cabeça, eu mandava ele se foder. Mantive o controle.

Fui pra cama e transei comigo mesma. Não assisti pornô. Caramba, eu nem fantasiei sobre ninguém. A masturbação não era uma tarefa mundana, como sempre tinha sido. Não havia um ponto final para buscar. Eu realmente só queria fazer sexo comigo mesma.

Experimentei diferentes posições e técnicas, enquanto os sons aveludados de Khalid funcionavam como minha trilha sonora de prazer. Até me assustei quando ejaculei, mas decidi que era algo primitivo e excitante. Continuei me provocando até o orgasmo.

Sempre perguntei para as pessoas como você sabe que gozou. A resposta sempre foi “você simplesmente sabe”. E posso confirmar. Finalmente joguei a cabeça pra trás num momento de renúncia ao prazer.

Recuperei meu poder. E acontece que o tempo todo, aquele poder era eu.

No meu primeiro texto, pedi para você vir numa jornada comigo — essa jornada sendo a busca por gozar. Foi uma aventura longa e tortuosa, e com certeza não foi fácil. Mas cada passo foi fundamental para meu autodesenvolvimento e me trouxe para onde estou agora.

Essa é a questão das jornadas. Há vários caminhos, obstáculos e desvios. Muito da viagem é imprevisível, e ainda é tudo parte do que torna a viagem tão incrível.

Minha jornada nunca deveria ter começado com um objetivo, porque a cura não é linear. Assim como o clímax, uma jornada precisa ser um acúmulo: uma guinada para a esquerda para redescobrir minha confiança, um desvio para encarar meu trauma, e uma expedição para encontrar meu valor. Mas finalmente cheguei ao destino.

Para mim, gozar tem sido um pouco como voltar para casa de uma viagem de férias e imediatamente fantasiar sobre a próxima viagem. Agora dominei a arte da masturbação e finalmente sei o que funciona pra mim. E agora, quero transferir isso para encontrar um parceiro.

Fico feliz de ter sido aquela que me deu meu primeiro orgasmo e ter retomado o controle. Agora estou pronta para um bom e velho sexo.

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